Caros Amigos e Colegas,
Iniciei o meu percurso na Academia com 3 anos, aquando da sua fundação por meu pai, o professor Mário Neves, seu primeiro director. Fui aluno do seu Jardim-Escola – o primeiro em Espinho, por onde centenas de Espinhenses passaram –, para além das classes de Música, de Ballet e, mais tarde, de línguas (Francês, Inglês e Alemão).
Testemunhei o entusiasmo e o desprendimento com que os meus pais se devotaram à tarefa de fazer crescer este projecto – pioneiro no início dos anos 60 –, multiplicados por muitos e muitos docentes que deram o melhor das suas vidas para o progresso da Escola.
Os primeiros concertos a que assisti foram no velho salão da Academia, repleto de entusiastas que acorriam às apresentações dos seus primeiros professores. O mesmo salão onde mais tarde toquei nas primeiras audições e primeiro recital. Arrancaram depois as primeiras edições do Festival de Música, a recepção a concertos apoiados pela Pro-Arte de Lisboa, pelo Instituto Alemão do Porto, a Orquestra e o Ballet da Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto.
Nestes 50 anos de vida a Academia soube granjear prestígio em Espinho, na Região e no País. Muitos são os profissionais que aqui iniciaram os seus estudos, milhares e milhares de cidadãos ficaram ligados à Música pela sua passagem pela Academia, escola que participou no restrito grupo de trabalho que, em negociação com o Ministério da Educação, conseguiu obter os primeiros contratos-programa de apoio às escolas de Música.
Em 1983, a convite de meu pai – que se retirava então do cargo de Director – e de regresso a Portugal, fiz parte do seu primeiro Conselho Directivo, que discutiu o futuro da escola com os seus professores, a estruturou como associação, refez estatutos, lançou novos programas curriculares. Foi na Academia que se realizaram as primeiras avaliações a cada ano lectivo e no final de cada
semestre, sistema inovador na altura. Relançou-se o Festival de Música, acompanhado de Cursos de Música de Verão (que, para além de grandes músicos, recebeu o 1o curso prático de Pedagogia do Instrumento que se fez em Portugal) englobou-se nele novos géneros de espectáculo, diversificaram-se os espaços da Cidade que o receberam.
Apesar da variada actividade que fui chamado a exercer noutras escolas, tentei manter a minha ligação à Academia, em regime de acumulação, o que me permitiu a docência, várias passagens pelo Conselho Directivo, estar na equipa de fundação da Escola Profissional de Espinho (1990) e assistir à doação, pela Câmara Municipal, de um terreno para a construção das novas instalações, que se inauguraram há pouco tempo.
Nos últimos anos afastei-me da docência da Academia e da direcção da Escola Profissional por divergências com a sua direcção – nomeadamente com o seu Presidente do Conselho Directivo – crendo, erradamente, que seria o melhor para a Escola. Permaneci apenas como docente da Escola Profissional e mantive o meu cargo de Vice-presidente da Assembleia-Geral da associação.
Neste momento muito difícil e perigoso para a Academia, não posso alhear-me do que se vem passando na escola, no que respeita às relações entre a Direcção e os Professores – que contrariam todo o espírito colegial com que a escola sempre foi gerida –, e ao abaixamento de qualidade das actividades pedagógicas, por falta de competência artística e pedagógica da direcção. Para a incredulidade de quem conheceu até há bem pouco a Academia, a perseguição e o consequente medo instalaram-se na escola.
Apoiei, no ano passado, os docentes que me alertaram para esta situação. Este ano, solicitei ao Presidente da Assembleia Geral da Academia uma reunião urgente dos corpos sociais para tentar resolver o caso dos três processos disciplinares, na sequência da qual se deu a intervenção directa do Presidente da Assembleia-Geral junto do Conselho Directivo. Tomei conhecimento também de um abaixo-assinado de pais de alunos dos professores visados, testemunhando a sua competência e seriedade.
É neste quadro que venho manifestar a todos os docentes a minha disponibilidade e honra para integrar a equipa proposta pela lista A, a tempo inteiro e responsabilizando-me pela sua Direcção Pedagógica.
Julgo dever esta minha decisão à Academia. Que tanto me deu. E à memória de todos os que por ela deram o seu melhor.
Da sua utilidade saberão julgar os amigos e colegas do Corpo Docente.
Iniciei o meu percurso na Academia com 3 anos, aquando da sua fundação por meu pai, o professor Mário Neves, seu primeiro director. Fui aluno do seu Jardim-Escola – o primeiro em Espinho, por onde centenas de Espinhenses passaram –, para além das classes de Música, de Ballet e, mais tarde, de línguas (Francês, Inglês e Alemão).
Testemunhei o entusiasmo e o desprendimento com que os meus pais se devotaram à tarefa de fazer crescer este projecto – pioneiro no início dos anos 60 –, multiplicados por muitos e muitos docentes que deram o melhor das suas vidas para o progresso da Escola.
Os primeiros concertos a que assisti foram no velho salão da Academia, repleto de entusiastas que acorriam às apresentações dos seus primeiros professores. O mesmo salão onde mais tarde toquei nas primeiras audições e primeiro recital. Arrancaram depois as primeiras edições do Festival de Música, a recepção a concertos apoiados pela Pro-Arte de Lisboa, pelo Instituto Alemão do Porto, a Orquestra e o Ballet da Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto.
Nestes 50 anos de vida a Academia soube granjear prestígio em Espinho, na Região e no País. Muitos são os profissionais que aqui iniciaram os seus estudos, milhares e milhares de cidadãos ficaram ligados à Música pela sua passagem pela Academia, escola que participou no restrito grupo de trabalho que, em negociação com o Ministério da Educação, conseguiu obter os primeiros contratos-programa de apoio às escolas de Música.
Em 1983, a convite de meu pai – que se retirava então do cargo de Director – e de regresso a Portugal, fiz parte do seu primeiro Conselho Directivo, que discutiu o futuro da escola com os seus professores, a estruturou como associação, refez estatutos, lançou novos programas curriculares. Foi na Academia que se realizaram as primeiras avaliações a cada ano lectivo e no final de cada
semestre, sistema inovador na altura. Relançou-se o Festival de Música, acompanhado de Cursos de Música de Verão (que, para além de grandes músicos, recebeu o 1o curso prático de Pedagogia do Instrumento que se fez em Portugal) englobou-se nele novos géneros de espectáculo, diversificaram-se os espaços da Cidade que o receberam.
Apesar da variada actividade que fui chamado a exercer noutras escolas, tentei manter a minha ligação à Academia, em regime de acumulação, o que me permitiu a docência, várias passagens pelo Conselho Directivo, estar na equipa de fundação da Escola Profissional de Espinho (1990) e assistir à doação, pela Câmara Municipal, de um terreno para a construção das novas instalações, que se inauguraram há pouco tempo.
Nos últimos anos afastei-me da docência da Academia e da direcção da Escola Profissional por divergências com a sua direcção – nomeadamente com o seu Presidente do Conselho Directivo – crendo, erradamente, que seria o melhor para a Escola. Permaneci apenas como docente da Escola Profissional e mantive o meu cargo de Vice-presidente da Assembleia-Geral da associação.
Neste momento muito difícil e perigoso para a Academia, não posso alhear-me do que se vem passando na escola, no que respeita às relações entre a Direcção e os Professores – que contrariam todo o espírito colegial com que a escola sempre foi gerida –, e ao abaixamento de qualidade das actividades pedagógicas, por falta de competência artística e pedagógica da direcção. Para a incredulidade de quem conheceu até há bem pouco a Academia, a perseguição e o consequente medo instalaram-se na escola.
Apoiei, no ano passado, os docentes que me alertaram para esta situação. Este ano, solicitei ao Presidente da Assembleia Geral da Academia uma reunião urgente dos corpos sociais para tentar resolver o caso dos três processos disciplinares, na sequência da qual se deu a intervenção directa do Presidente da Assembleia-Geral junto do Conselho Directivo. Tomei conhecimento também de um abaixo-assinado de pais de alunos dos professores visados, testemunhando a sua competência e seriedade.
É neste quadro que venho manifestar a todos os docentes a minha disponibilidade e honra para integrar a equipa proposta pela lista A, a tempo inteiro e responsabilizando-me pela sua Direcção Pedagógica.
Julgo dever esta minha decisão à Academia. Que tanto me deu. E à memória de todos os que por ela deram o seu melhor.
Da sua utilidade saberão julgar os amigos e colegas do Corpo Docente.
Fausto Neves
Pianista, diplomado pelo Conservatório do Porto, “Prix de Virtuosité” do Conservatório de Genève, estudos na Universidade Laval (Canadá).
Professor auxiliar convidado na Universidade de Aveiro, professor na Escola Profissional de Espinho.
Experiência docente: professor nos Conservatórios de Música de Genève e de Sion (Suíça), Academia de Música de Espinho, Conservatório de Música do Porto, Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo.
Cargos ocupados: director e membro dos conselhos pedagógico e científico da ESMAE; programador da Porto 2001/Casa da Música, responsável pelo seu Serviço Educativo; membro da Direcção da RESEO (Rede Europeia
de Serviços Educativos em Ópera).
Dirige o Coro “Amigos da Academia” desde 2001.
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